✦O Casal Legendáriopor Ricardo Martins & Vanessa Lima
Notícia comentada

Solidão a dois: 1 em cada 4 casados se sentiu sozinho, diz pesquisa

O Panorama da Saúde Mental 2026 (Instituto Cactus e AtlasIntel), noticiado pela Folha, aponta a solidão como o fator mais ligado à pior saúde mental no Brasil. Casados sentem menos solidão que solteiros, mas 26,6% deles também relataram se sentir sozinhos. Ricardo Martins comenta a solidão dentro do casamento.

Solidão a dois: 1 em cada 4 casados se sentiu sozinho, diz pesquisa
ResumoA solidão atinge 36,5% dos brasileiros e é o fator mais associado à pior saúde mental. Casar protege, mas não imuniza — 26,6% dos casados se sentiram sozinhos. Ricardo Martins comenta o que fazer quando a pessoa mais perto de você parece estar longe.

O fato

No dia 24 de outubro, a Folha de S.Paulo noticiou a 5ª edição do Panorama da Saúde Mental, do Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel. Foram 4.601 pessoas de todo o país, ouvidas online entre abril e junho de 2026. O achado principal: 36,5% dos brasileiros disseram ter se sentido sozinhos nas duas semanas anteriores à pesquisa — e a solidão foi o fator mais associado a uma pior saúde mental em todo o levantamento.

O relatório completo traz um dado que me prendeu: a solidão foi bem mais comum entre solteiros (51,7%) do que entre casados (26,6%). Ou seja, casar protege — mas não imuniza. Mais de um em cada quatro casados também se sentiu sozinho.

Outros números ajudam a montar o quadro. Entre quem nunca brigou com a família no período, 24,4% relataram solidão; entre quem brigou três vezes ou mais, 84,2%. Quem usa redes sociais por três horas ou mais por dia relatou solidão com mais frequência (46,8%, contra 26,1% no uso moderado). E, do lado protetor, encontrar amigos, fazer trabalho voluntário e frequentar igreja ou templo apareceram ligados a índices melhores de saúde mental.

Uma ressalva honesta, que a própria pesquisa faz: são associações, não relações de causa e efeito. Não dá para dizer que a briga causa a solidão ou o contrário. Mas o retrato é claro o suficiente para a gente olhar para dentro de casa.

Dá para estar casado e sozinho

Eu conheço esse tipo de solidão. Não é a solidão de quem mora sozinho. É a de quem divide a cama, a conta de luz e o sobrenome — e mesmo assim sente que ninguém sabe de verdade o que está acontecendo por dentro.

É o casal que conversa o dia inteiro sobre boleto, escola e quem vai buscar quem, mas não conversa sobre nada que importa. É o marido que chega, liga a TV e se desliga. É a esposa que já desistiu de explicar o que sente porque “não adianta”. Os dois no mesmo sofá, cada um com seu celular, cada um na sua ilha.

A Bíblia é direta sobre isso logo no começo:

“Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.” (Gênesis 2:18, ARA)

Repare: Adão não estava sozinho no sentido físico. Ele tinha Deus, tinha o jardim, tinha os animais. Mesmo assim, Deus disse “não é bom”. O casamento foi desenhado para ser o remédio para a solidão — não mais um lugar onde ela mora.

Quando 26,6% dos casados dizem que se sentiram sozinhos, eu não leio isso como prova de que o casamento falhou. Leio como um alerta de que muitos casamentos estão funcionando como sociedade, e não como aliança.

A briga que isola

O dado das brigas familiares é o que mais me incomoda, porque eu já fui o problema do meu casamento. Sei como é viver numa casa onde cada conversa vira disputa. Depois de um tempo, ninguém mais se arrisca a abrir o coração, porque abrir o coração virou dar munição ao outro.

A briga constante não só machuca. Ela isola. Cada um se fecha para se proteger, e o silêncio que vem depois parece paz, mas é distância.

Eclesiastes descreve o oposto disso:

“Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante.” (Eclesiastes 4:9-10, ARA)

O casal foi feito para ser a primeira pessoa a levantar o outro. Quando o lar vira campo de batalha, quem cai fica no chão — mesmo com alguém do lado.

O celular no meio da cama

Não vou repetir aqui tudo o que já falamos sobre telas. Mas o dado das redes sociais conversa diretamente com o que vejo nos casais: horas rolando a vida dos outros, e minutos — quando muito — olhando nos olhos de quem está ao lado. A rede promete conexão com o mundo inteiro e, muitas vezes, rouba a conexão com a única pessoa que prometeu ficar.

Não é sobre demonizar o celular. É sobre perguntar, com honestidade: quanto do meu melhor tempo e da minha melhor atenção eu estou entregando para uma tela, e quanto para a minha esposa, para o meu marido?

O cordão de três dobras precisa de mais gente

Tem uma parte da pesquisa que muitos vão ignorar e que eu quero destacar: amigos, voluntariado e igreja apareceram do lado protetor. Isso não me surpreende. Um casal não foi feito para se trancar dentro de casa e dar conta de tudo sozinho.

Já escrevi aqui sobre homens sem amigos e por que a esposa não pode ser a única pessoa. Vale para os dois. O casamento é o centro, mas não é uma ilha. Precisamos de irmãos e irmãs que conheçam nossa história, que orem por nós e que tenham liberdade de nos confrontar.

“Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns.” (Hebreus 10:24-25, ARA)

E o cordão de três dobras de Eclesiastes 4:12 não “se rebenta com facilidade” porque tem um terceiro fio. Para nós, esse fio é Cristo. Um casal que ora junto, que está plantado numa comunidade de fé e que não se esconde, tem muito mais chance de atravessar as estações de solidão.

O que fazer esta semana

Sem fórmula mágica, deixo quatro passos simples:

  1. Faça a pergunta difícil. Pergunte ao seu cônjuge: “Você tem se sentido sozinho comigo?” — e escute sem se defender.
  2. Crie 15 minutos sem tela por dia. Sem celular, sem TV. Só os dois, falando de algo além da logística da casa.
  3. Encerre uma briga antiga. Peça perdão pelo que é seu, sem “mas”. A reconciliação começa por quem decide dar o primeiro passo.
  4. Saia da ilha. Volte a congregar, procure um casal amigo, aceite aquele convite para o pequeno grupo.

E uma palavra importante: solidão persistente, tristeza profunda ou pensamentos de desistir da vida não são falta de fé. São sinais para buscar ajuda. Procure um profissional de saúde mental e seu pastor. Se você estiver em crise, ligue para o CVV no 188 (24 horas, gratuito) ou procure atendimento de emergência.

Deus faz o solitário morar em família

Jesus conheceu a solidão. No Getsêmani, Ele pediu aos amigos mais próximos: “A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo” (Mateus 26:38, ARA). Eles dormiram. Ele entende quem se sente sozinho mesmo cercado de gente.

E é esse mesmo Deus de quem o salmista diz:

“Deus faz que o solitário more em família.” (Salmos 68:6, ARA)

Se a sua casa virou um lugar de duas solidões, ela não precisa continuar assim. A confiança se reconstrói tijolo por tijolo, e a intimidade também. Começa com uma conversa honesta, um pedido de perdão, uma oração juntos.

Se vocês querem um caminho prático para reaproximar o casal, um passo por dia e com Cristo no centro, conheçam o Guia de 21 Dias.

Fontes

  1. Solidão é o fator mais ligado à pior saúde mental no Brasil, mostra pesquisa — Folha de S.Paulo, 24/10/2026
  2. Panorama da Saúde Mental 2026 — 5ª edição (relatório completo, PDF) — Instituto Cactus + AtlasIntel, 2026
  3. Panorama da Saúde Mental (site oficial) — Instituto Cactus
notícia comentadasolidãosaúde emocional do casalcasamento cristãoBrasil
Ricardo Martins

Ricardo Martins

Ricardo Martins é escritor, pastor e porta-voz do movimento Legendários. Ao lado da esposa, Vanessa Lima, criou O Casal Legendário, que alcança milhões de pessoas com conteúdo sobre casamento cristão e restauração. Autor de "Quando o amor recomeça" (Citadel, 2026).

Precisa de um plano pro seu casamento?

O Guia de 21 Dias é o passo a passo que Ricardo e Vanessa usam com casais em crise — um dia por vez, com Cristo no centro.

Conhecer o Guia de 21 Dias

Este conteúdo é educacional e pastoral. Não substitui terapia, atendimento médico, jurídico ou ajuda emergencial. Em caso de violência ou risco imediato, procure ajuda agora.