Casar custou R$ 56 mil em 2026 — e a lua de mel foi a primeira a ser cortada
Levantamento do Casar.com com a Serasa, noticiado pelo Valor Investe, mostra que o casamento no Brasil custou em média R$ 56,2 mil em 2026, 22% acima do planejado, e que 62,5% dos casais reduziram ou abriram mão da lua de mel. Ricardo Martins comenta o que essa conta revela sobre as prioridades do casal.

O fato
No dia 16 de outubro, o Valor Investe publicou a terceira edição de uma pesquisa do Casar.com em parceria com a Serasa, feita com 628 pessoas que se casaram entre janeiro e agosto de 2026. Os noivos planejaram gastar, em média, R$ 45,8 mil e terminaram gastando cerca de R$ 56,2 mil — um estouro de mais de 22%. 42,2% disseram ter passado do orçamento.
A saída mais comum foi cortar a viagem: 62,5% dos casais reduziram ou abriram mão da lua de mel para não começar a vida a dois inadimplentes. Metade (50,8%) usou algum recurso extra, como aumento do limite do cartão ou Pix parcelado, e 52,2% receberam ajuda financeira da família. Ainda assim, 68,2% conseguiram não se endividar para pagar a celebração.
Um dado me fez parar: entre quem se endividou em grande parte para bancar o casamento, 28,6% se arrependem do valor gasto. Entre quem não se endividou, só 7,2%.
Uma ressalva honesta: é uma pesquisa de um site de casamentos com uma empresa de crédito, com uma amostra pequena e não necessariamente representativa do país. Não é IBGE. Mas o retrato que ela pinta, qualquer pastor que já fez aconselhamento pré-nupcial reconhece na hora.
A festa dura uma noite. O casamento, não.
Quero deixar claro logo de início: eu não sou contra festa. O primeiro dos sinais de Jesus aconteceu numa festa de casamento, em Caná da Galileia (João 2:1-11). Ele não ficou na porta reclamando do preço do vinho. Ele entrou, celebrou e ainda salvou a festa quando o vinho acabou. Celebrar uma aliança diante de Deus e das pessoas que você ama é bonito, bíblico e saudável.
O problema não é a festa. O problema é quando a festa vira o projeto, e o casamento vira o detalhe.
Repare no que a pesquisa descreve. O orçamento estoura, e o que é cortado primeiro? Não é a decoração, não é o buffet, não é a lista de convidados. É a lua de mel — justamente o único item da conta que é só dos dois. É o tempo a sós, sem plateia, para começar a construir a intimidade que vai sustentar os próximos quarenta anos.
Eu não estou julgando quem cortou a viagem para não se endividar. Pelo contrário: foi uma decisão responsável. Mas a pergunta que fica é outra: por que a parte que é para os convidados ficou intocável, e a parte que é para o casal foi a primeira a cair?
Calcular a despesa é coisa da Bíblia
Jesus usou uma imagem muito prática quando falou sobre o custo de segui-lo:
“Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir?” (Lucas 14:28, ARA)
O contexto ali é o discipulado, não o orçamento de casamento. Mas o princípio vale: quem começa a construir sem sentar e fazer a conta vira motivo de piada no meio da obra. E o casamento é uma obra longa.
Quando 42% dos casais passam do orçamento, isso me diz menos sobre dinheiro e mais sobre conversa. Muitas vezes os noivos nunca sentaram de verdade para responder: “O que é importante para nós — não para a minha mãe, não para o Instagram, não para os padrinhos?” A primeira grande decisão financeira do casal acaba sendo tomada sob pressão, com a planilha nas mãos de todo mundo, menos dos dois.
E aí vem o que a Escritura diz sem rodeio:
“O rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é servo do que empresta.” (Provérbios 22:7, ARA)
Começar o casamento devendo é começar o casamento servindo a alguém que não é o seu cônjuge. Os 28,6% de arrependimento entre os endividados não são só arrependimento de dinheiro. É o peso de abrir a fatura do cartão nos primeiros meses de casado e lembrar de uma noite que já passou.
Sobre a ajuda da família
Mais da metade dos casais recebeu ajuda financeira dos pais. Isso pode ser uma bênção enorme — família que apoia é presente de Deus. Mas eu sempre faço uma pergunta para os noivos: essa ajuda vem com cordão?
“Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” (Gênesis 2:24, ARA)
Deixar pai e mãe não é romper com eles. É mudar a lealdade principal. Quando a festa foi paga pelos pais “do jeito deles”, às vezes o casal começa a vida já com a sensação de que deve satisfação. Aceitar ajuda é ótimo. Aceitar controle disfarçado de ajuda é plantar conflito para o primeiro ano de casamento. Se a família vai ajudar, combinem antes, os dois juntos, o que isso significa e o que não significa.
O que eu diria para um casal noivo hoje
Não sou consultor financeiro, e este texto não é orientação financeira. É conselho de quem caminha com casais em crise e vê, muitas vezes, o dinheiro sendo a ponta visível de um problema que é de prioridade e de comunicação. Então, de pastor para noivos:
1. Decidam juntos o que é inegociável. Antes de qualquer orçamento, cada um escreve três coisas que importam no dia do casamento. Comparem. O que for dos dois entra primeiro na conta.
2. Coloquem o casamento antes da festa no orçamento. Reservem primeiro o que é do casal: o começo da vida a dois, a lua de mel (mesmo simples), uma reserva para os primeiros meses. A festa se ajusta ao que sobrar, não o contrário.
3. Façam a conta com margem. Se a pesquisa mostra estouro médio de mais de 20%, planejem já contando com isso.
4. Conversem sobre dívida antes de contrair qualquer uma. Parcelamento parece leve no dia da assinatura e pesa no dia em que chega. Se precisar dividir, que seja uma decisão consciente dos dois, não um empurrão de última hora.
5. Invistam na preparação do casamento, não só na do evento. Aconselhamento pré-nupcial, conversas difíceis sobre dinheiro, filhos, família, fé. Isso não aparece nas fotos, mas aparece em cada ano que vem depois.
A pergunta que importa
Eu já fui o problema do meu casamento. E aprendi do jeito mais duro que nenhuma festa, por mais bonita que seja, segura uma casa construída sem fundamento. O que segura é Cristo no centro e dois corações que decidiram, todos os dias, escolher um ao outro. A confiança se reconstrói tijolo por tijolo — e também se constrói assim desde o começo.
“Com a sabedoria se edifica a casa, e com o entendimento ela se estabelece.” (Provérbios 24:3, ARA)
Então, se você está noivo, ou acabou de casar e está pagando a conta da festa agora, não se desespere e não se culpe. Sentem juntos, coloquem tudo na mesa e orem sobre isso. A festa já passou ou vai passar. O casamento é para a vida inteira — e merece mais atenção do que a decoração.
Se vocês querem um caminho prático para fortalecer o casamento desde a base, conheçam o Guia de 21 Dias: um passo por dia, os dois juntos, com Cristo no centro.
Fontes
- Gasto médio com casamento chega a R$ 56 mil e casais cortam lua de mel para bancar festa — Valor Investe (Globo), 16/10/2026 — pesquisa Casar.com + Serasa
Precisa de um plano pro seu casamento?
O Guia de 21 Dias é o passo a passo que Ricardo e Vanessa usam com casais em crise — um dia por vez, com Cristo no centro.
Conhecer o Guia de 21 DiasEste conteúdo é educacional e pastoral. Não substitui terapia, atendimento médico, jurídico ou ajuda emergencial. Em caso de violência ou risco imediato, procure ajuda agora.


