✦O Casal Legendáriopor Ricardo Martins & Vanessa Lima
Notícia comentada

1 em cada 3 pais já pegou o filho comprando em apps sem autorização — a pergunta é quem está educando nossos filhos

Pesquisa da Serasa com o Instituto Opinion Box, divulgada em 6 de outubro de 2026, mostra que 32% dos pais brasileiros já flagraram os filhos fazendo compras em aplicativos e jogos sem autorização e que 53% acham que as redes sociais aumentam o desejo de consumo das crianças. Ricardo Martins comenta o que isso revela sobre presença, unidade do casal e discipulado em casa.

1 em cada 3 pais já pegou o filho comprando em apps sem autorização — a pergunta é quem está educando nossos filhos
ResumoÀs vésperas do Dia das Crianças, uma pesquisa mostrou que um terço dos pais já pegou o filho gastando escondido em apps e jogos. O valor quase sempre é pequeno. O recado não é. Ricardo Martins comenta por que a tela já está educando nossos filhos — e o que pai e mãe precisam decidir juntos.

O fato

Nesta terça-feira, 6 de outubro, a Serasa divulgou uma pesquisa feita com o Instituto Opinion Box para o Dia das Crianças. Foram ouvidos 1.066 pais e responsáveis com filhos de até 18 anos, em todo o Brasil, entre 31 de agosto e 15 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais, segundo reportagens do Extra e do InfoMoney.

O dado principal: 32% dos pais já pegaram os filhos fazendo compras em aplicativos, jogos ou plataformas digitais sem conhecimento ou autorização. Na maioria desses casos (60%), o gasto ficou em até R$ 100. Além disso, 53% acreditam que as redes sociais aumentam o desejo de consumo das crianças, 60% dizem que os filhos já usam essas plataformas e 31% contam que a criança tem conta própria. Por outro lado, 72% se consideram a principal fonte de orientação dos filhos sobre dinheiro.

Uma ressalva honesta: a Serasa é uma empresa de crédito com interesse declarado em educação financeira, e a pesquisa foi feita por questionário com pais, não é um estudo científico. Os números mostram percepção dos pais, não comportamento medido. Ainda assim, eles batem com o que eu ouço em muitas casas.

O que vem a seguir é a minha opinião, como marido, pai e alguém que caminha com casais em crise.

O problema não são os 100 reais

Quando um pai descobre uma compra escondida no cartão, a primeira reação costuma ser financeira: “Quanto foi?”. E quase sempre o valor é pequeno. Uma moeda virtual, uma skin, uma vida extra num jogo.

Mas eu queria que você olhasse para outro número da mesma pesquisa: mais da metade dos pais acha que as redes sociais aumentam o desejo de consumo dos filhos. Ou seja, nós já sabemos que existe alguém, do outro lado da tela, ensinando nossos filhos a querer. Ensinando o que é ter valor, o que é ser aceito, o que é “precisar” de alguma coisa.

A Bíblia tem um nome antigo para isso: “a concupiscência dos olhos” (1 João 2:16). Não é um pecado novo. O que é novo é a velocidade e o fato de ele morar no bolso de uma criança de dez anos, com o cartão do pai salvo no aparelho.

O problema não é o boleto. É o discipulado. Se eu não estou formando o coração do meu filho, alguém está.

A tela já está educando — a pergunta é se você também está

Deus deu aos pais, e não à escola, à igreja ou ao algoritmo, a primeira responsabilidade de formar os filhos: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (Deuteronômio 6:6-7).

Repare: o texto não fala de uma palestra por ano. Fala de conversa no sofá, no carro, na hora de dormir, no café da manhã. Discipulado é presença repetida. E é exatamente esse espaço — o sofá, o carro, a hora de dormir — que a tela ocupou em muitas casas.

A boa notícia da pesquisa é que 72% dos pais ainda se veem como a principal referência dos filhos sobre dinheiro. Isso quer dizer que a autoridade ainda está com a gente. Mas autoridade que não é exercida vai sendo, aos poucos, terceirizada.

E sejamos sinceros: muitas vezes o celular do filho é só o espelho do nosso. Fica difícil pedir para a criança largar a tela se ela nunca viu o pai largar a dele. Hoje mesmo eu escrevi aqui sobre casamento e redes sociais, e o princípio é o mesmo: o que a gente consome todo dia molda o que a gente deseja.

Pai e mãe precisam decidir juntos

Aqui entra o casamento. Em muitas casas, a compra escondida do filho vira briga do casal: “Foi você que deixou o cartão salvo.” “Foi você que deu o celular pra ele.” “Você é mole demais.” “Você é duro demais.”

O filho, que é esperto, percebe rápido onde está a brecha entre o pai e a mãe — e entra por ela.

“Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3:3). Antes de definir regra para o filho, o casal precisa estar de acordo entre si. Não precisa ser perfeito. Precisa ser unido. Uma regra mais simples, sustentada pelos dois, educa mais do que uma regra perfeita que um impõe e o outro desfaz.

E aos pais, especificamente, uma palavra direta: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios 6:4). Duas coisas no mesmo versículo. Nem omissão (“deixa, é só um joguinho”), nem explosão (“vou quebrar esse celular”). Disciplina com presença. Correção com relacionamento.

Algumas orientações práticas, de pastor para família

Não é consultoria financeira nem orientação técnica sobre tecnologia. É o que eu tenho visto funcionar em casas cristãs:

  1. Conversem como casal antes de conversar com o filho. Combinem a regra, o limite e a consequência em particular. Depois falem juntos.
  2. Tirem o cartão salvo dos aparelhos das crianças e ativem a aprovação dos responsáveis nas lojas de aplicativos. Isso não é desconfiança; é proteção.
  3. Se a compra escondida já aconteceu, trate o coração, não só o valor. Pergunte o que ele queria, por que escondeu, o que sentiu. Esconder é o problema maior que gastar.
  4. Ensine contentamento com o exemplo. “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hebreus 13:5). Filho aprende contentamento vendo pai e mãe que não vivem correndo atrás do próximo produto.
  5. Recuperem um horário sem tela por dia. Uma refeição, uma volta, a hora de dormir. Pequeno, mas fiel.

Neste Dia das Crianças, presença antes de presente

O Dia das Crianças é na próxima segunda-feira, 12 de outubro. O comércio vai dizer que amor se mede no tamanho do presente. Eu quero te lembrar de outra coisa: nenhum brinquedo substitui um pai que senta no chão, uma mãe que escuta, um casal que se respeita na frente dos filhos.

“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22:6). Isso é um princípio de sabedoria, não uma garantia mágica. Mas é um convite: o caminho se ensina andando junto.

Eu já fui o problema do meu casamento, e aprendi que tudo o que é reconstruído dentro de casa é reconstruído tijolo por tijolo. Com os filhos é igual. Uma conversa de cada vez. Um limite de cada vez. Um “eu te amo” de cada vez.

E se o seu casamento está tão desgastado que vocês não conseguem nem concordar sobre o celular do filho, talvez o primeiro passo não seja a regra da tela — seja o casal. Para isso, preparamos o Guia de 21 Dias do Casal Legendário: um caminho prático, com Cristo no centro, para vocês voltarem a andar de acordo.

Fontes

  1. Um em cada três pais já encontrou o filho fazendo compras sem autorização em apps e jogos, diz pesquisa da Serasa — Extra (Grupo Globo), 06/10/2026
  2. Cerca de 32% dos pais já flagraram filhos em compras online sem autorização — InfoMoney, 06/10/2026
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Ricardo Martins

Ricardo Martins

Ricardo Martins é escritor, pastor e porta-voz do movimento Legendários. Ao lado da esposa, Vanessa Lima, criou O Casal Legendário, que alcança milhões de pessoas com conteúdo sobre casamento cristão e restauração. Autor de "Quando o amor recomeça" (Citadel, 2026).

Precisa de um plano pro seu casamento?

O Guia de 21 Dias é o passo a passo que Ricardo e Vanessa usam com casais em crise — um dia por vez, com Cristo no centro.

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