✦O Casal Legendáriopor Ricardo Martins & Vanessa Lima
Notícia comentada

Jovens homens estão voltando à igreja nos EUA. A pergunta é: quem vai caminhar com eles?

Relatório do Pew Research Center publicado em 28/10/2026 mostra que 41% dos adultos de 18 a 22 anos nos EUA vão a cultos pelo menos uma vez por mês — e, pela primeira vez nas pesquisas do instituto, os rapazes dessa idade frequentam mais que as moças. Ricardo Martins comenta o que isso pede de pais, maridos e igrejas.

Jovens homens estão voltando à igreja nos EUA. A pergunta é: quem vai caminhar com eles?
ResumoO Pew Research Center encontrou um sinal raro entre os adultos mais jovens dos EUA, puxado sobretudo pelos rapazes. O próprio instituto avisa que pode ser só uma onda. Ricardo Martins comenta por que semente sem raiz não dura — e o que os homens mais velhos têm a ver com isso.

A notícia

Nesta quarta-feira (28/10), o Pew Research Center publicou um retrato atualizado da fé nos Estados Unidos. A conclusão geral: depois de anos de queda, a religiosidade americana está estável desde 2020. Em 2026, 70% dos adultos se identificam com uma religião, 47% dizem orar todos os dias e 34% afirmam ir a cultos pelo menos uma vez por mês. Numa pesquisa de junho, 45% disseram ter assistido a um culto no último mês — presencialmente ou online —, o maior número desde que o instituto começou a perguntar, em 2020.

O dado que chamou atenção está entre os mais jovens. Dos adultos de 18 a 22 anos, 41% vão a cultos pelo menos uma vez por mês, acima da média nacional (33% nos dados combinados de 2025–26). E, pela primeira vez nas pesquisas do Pew, os rapazes dessa faixa frequentam mais que as moças: 47% contra 35%.

O próprio instituto pede cautela, e eu também. A amostra dessa faixa é pequena (443 pessoas, margem de erro de 5,7 pontos, maior ainda quando se separa homens e mulheres). Os jovens de 23 a 26 anos, logo acima, são hoje o grupo menos religioso do país (27% vão ao culto todo mês). E o Pew lembra que, no passado, outras gerações também entraram na vida adulta mais religiosas e esfriaram com o tempo. Pode ser um ponto de virada. Pode ser só uma onda. “O tempo dirá”, escrevem os autores.

O que me alegra nessa notícia

Eu caminho com casais em crise e, por meio dos Legendários, com muitos homens. E eu sei o que significa um rapaz de 19 anos decidir, por conta própria, entrar numa igreja num domingo de manhã. Ninguém está obrigando. A cultura não aplaude. Os amigos muitas vezes riem.

Por isso esse número me alegra. Durante muito tempo se disse que a igreja era “coisa de mulher” e que o homem só aparecia em casamento e velório. Os dados de hoje mostram uma geração de rapazes procurando alguma coisa que o celular, a academia e o dinheiro não deram. Eu não acho que seja acaso. Eu acho que muitos desses moços estão cansados de ouvir que ser homem é um problema e estão procurando alguém que lhes diga para que servem.

João escreveu:

“Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.” (1 João 2.14, ARA)

Repare: a força do jovem, na Bíblia, não está no braço. Está na Palavra que permanece. E é exatamente aí que mora a minha preocupação.

Semente que brota rápido nem sempre dura

O alerta do Pew — que outras gerações também começaram animadas e depois esfriaram — me lembrou da parábola do semeador:

“O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.” (Mateus 13.20-21, ARA)

Receber com alegria é bom. Mas alegria não é raiz. O rapaz que voltou à igreja aos 19 vai enfrentar, nos próximos anos, a faculdade, o primeiro emprego, a primeira grande tentação, a primeira decepção com algum líder, o primeiro namoro sério. Os dados mostram que a faixa dos 23 aos 26 é justamente onde a fé mais míngua. É a idade em que muita gente sai de casa, começa a vida profissional — e, muitas vezes, começa a pensar em casamento.

Se a fé desse moço for só um ambiente bom de domingo, ela não sobrevive à segunda-feira dos 24 anos. Raiz se forma de outro jeito: com gente.

O recado para os homens mais velhos

Paulo deu a Tito uma instrução que eu acho que deveria estar colada na porta de toda igreja:

“Quanto aos moços, de igual modo, exorta-os para que, em todas as coisas, sejam criteriosos. Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras.” (Tito 2.6-7, ARA)

“Pessoalmente.” Não é um programa, um evento, um podcast. É um homem mais velho que se torna exemplo. E aqui eu falo direto com você, marido e pai que está lendo:

  • Esses rapazes estão olhando para o seu casamento. Eles cresceram, muitos deles, vendo casamentos desmoronarem. Quando chegam à igreja, querem saber se aquilo que se prega funciona de verdade dentro de casa. O jeito como você trata a sua esposa no estacionamento depois do culto prega mais que o sermão.
  • Convide um deles para a sua mesa. Um almoço de domingo com uma família que se ama, que ora junta, que pede perdão na frente dos outros, ensina mais sobre casamento do que dez palestras.
  • Fale com honestidade. Eu sempre digo: eu já fui o problema do meu casamento. O jovem não precisa de um herói perfeito; precisa ver um homem que caiu, se arrependeu e foi reconstruído por Deus, tijolo por tijolo.
  • Não deixe a esposa fazer isso sozinha. O dado de que os rapazes estão indo mais à igreja que as moças é novo. Por gerações, foram as mães e avós que levaram a fé adiante. Se Deus está trazendo os moços de volta, os homens precisam estar na porta para recebê-los.

E o recado para o casal

Talvez você não tenha filhos nessa idade. Ainda assim, a notícia diz algo sobre a sua casa. Fé que dura não se transfere por herança cultural; ela é vista, praticada e conversada. Os seus filhos — pequenos ou grandes — vão julgar o Evangelho em grande parte pelo que enxergam entre vocês dois.

Josué disse uma frase que não é de um homem sozinho, mas de uma família inteira:

“Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR.” (Josué 24.15, ARA)

Não é “eu e meus programas da igreja”. É “eu e a minha casa”. A pergunta que eu deixo para vocês hoje é simples: se um rapaz que acabou de voltar à igreja passasse uma semana dentro da casa de vocês, ele sairia com mais vontade de seguir a Cristo e de se casar — ou com menos?

Uma onda ou uma raiz?

Eu não sei se esses números vão se confirmar. Ninguém sabe — nem o Pew. Mas eu sei que ondas passam e raízes ficam. E raiz, no Reino de Deus, cresce no solo de relacionamentos: pais presentes, maridos fiéis, homens mais velhos que dão o seu tempo, igrejas que discipulam em vez de só entreter.

Se Deus está batendo à porta dessa geração de rapazes, que eles encontrem homens dispostos a abrir — e casamentos que mostrem que vale a pena.

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Fontes

  1. Religion Remains Stable in the U.S., With Mixed Signals for Young Adults (Gregory A. Smith, Chip Rotolo e Alan Cooperman) — Pew Research Center (Pew-Knight Initiative), 28/10/2026
  2. Religion Remains Stable in the U.S. — Methodology — Pew Research Center
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Ricardo Martins

Ricardo Martins

Ricardo Martins é escritor, pastor e porta-voz do movimento Legendários. Ao lado da esposa, Vanessa Lima, criou O Casal Legendário, que alcança milhões de pessoas com conteúdo sobre casamento cristão e restauração. Autor de "Quando o amor recomeça" (Citadel, 2026).

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