✦O Casal Legendáriopor Ricardo Martins & Vanessa Lima
Notícia comentada

Filhos mais tarde, menos casamentos: o que a Igreja precisa ouvir (sem nostalgia)

Reportagem do Globo Repórter mostra como as brasileiras passaram a estudar mais, adiar a maternidade e ter menos filhos — de mais de seis por mulher nos anos 1960 para 1,55 no Censo 2022 do IBGE. Ricardo Martins comenta o que isso revela sobre casamento, homens e fé.

Filhos mais tarde, menos casamentos: o que a Igreja precisa ouvir (sem nostalgia)
ResumoEm três gerações, a família brasileira mudou de cara. Ricardo Martins comenta a reportagem do Globo Repórter e explica por que a resposta cristã não é saudade do passado nem briga com o estudo das mulheres, e sim homens confiáveis e casamentos que valham a pena.

O fato

Na edição de 29 de setembro, o Globo Repórter contou a história de avós, mães e filhas para mostrar como a vida da mulher brasileira mudou: mais anos de estudo, maternidade adiada, menos filhos, menos casamentos e mais gente morando sozinha ou com os pais. Uma das entrevistadas se casou aos 17 anos; a filha dela priorizou a carreira e teve a primeira filha aos 34.

Os números por trás da reportagem são do IBGE. Segundo o Censo 2022, a taxa de fecundidade caiu de 6,28 filhos por mulher em 1960 para 1,55 em 2022, a menor da história. Desde 2010 o país está abaixo da taxa de reposição de 2,1 filhos por mulher, como registrou a Agência Brasil.

O que vem a seguir é a minha opinião, como marido, pai e alguém que caminha com casais em crise.

Primeiro: não é hora de saudade

Toda vez que sai uma notícia assim, aparece alguém na igreja dizendo que “bom era antigamente”. Eu entendo o sentimento, mas discordo do diagnóstico.

Antigamente também tinha muita dor escondida atrás da porta. Casamento aos 17 por pressão, mulher sem escolha, marido que mandava e não amava, família grande e coração vazio. Pressão social nunca foi o mesmo que aliança. Muita gente ficou casada por medo do que os outros iam dizer, não por amor a Deus e ao cônjuge.

Então eu não vou usar essa reportagem para atacar a mulher que estudou, que fez pós-doutorado, que construiu carreira. A Bíblia não tem problema com isso. A mulher virtuosa de Provérbios 31 faz negócio e trabalha com as próprias mãos:

“Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com as rendas do seu trabalho.” (Provérbios 31:16, ARA)

E o texto termina mandando honrar essa mulher em público: “Dai-lhe do fruto das suas mãos, e de público a louvarão as suas obras” (Provérbios 31:31, ARA). Estudo e trabalho não são inimigos da família. O inimigo é outro.

A pergunta certa não é “carreira ou filhos”

Uma frase da reportagem me chamou atenção. Uma das mulheres disse que o essencial era buscar independência e não achar que “a mulher foi feita para casar e ter filhos”. Concordo com metade.

Concordo que ninguém deveria se casar por obrigação. Mas eu acho que, no meio do caminho, a nossa geração passou a enxergar o casamento como ameaça à liberdade, e não como lugar de crescimento. Como se dizer “sim” a alguém fosse perder a si mesmo.

A Palavra mostra outra coisa:

“Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante.” (Eclesiastes 4:9-10, ARA)

Casamento bom não diminui ninguém. Ele multiplica. E filhos não são um obstáculo no currículo. “Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão” (Salmo 127:3, ARA). Isso não significa que todo casal precisa ter muitos filhos, nem que quem não teve filhos vale menos. Tem casal que sonhou e não conseguiu, e essa dor merece respeito, não sermão. Significa só que a gente precisa parar de falar de filho como peso e voltar a falar como presente.

O que quase ninguém fala: os homens

Agora eu vou falar com os homens, porque acho que essa parte ficou de fora da conversa.

Muitas mulheres não adiam o casamento e os filhos só por causa da carreira. Adiam porque não encontram homem em quem confiar. Homem que some quando a coisa aperta, que quer os benefícios do casamento sem as responsabilidades, que trata a esposa como funcionária e os filhos como problema dela.

Eu posso falar disso porque eu já fui o problema do meu casamento. Não foi a carreira da Vanessa Lima que quase destruiu a nossa casa. Fui eu. E o que reconstruiu foi Deus trabalhando em mim e a Vanessa dando uma chance pra Deus. A confiança voltou tijolo por tijolo.

Por isso, quando eu vejo a curva de filhos e de casamentos caindo, eu não penso primeiro nas mulheres. Eu penso em nós, homens. A ordem de Deus é clara:

“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.” (Efésios 5:25, ARA)

Cristo não amou a igreja de longe. Ele se entregou. Mulher nenhuma tem medo de se casar com um homem que se entrega assim. O medo é de se casar com um homem que só quer receber.

O que eu diria para um casal hoje

Se você é jovem e está pensando em casamento, ou se já é casado e está em dúvida sobre filhos, aqui vão três conselhos pastorais, não regras:

1. Conversem sobre o assunto antes que o tempo decida por vocês. Muito casal nunca falou de verdade sobre filhos. Um quer, o outro empurra, e os anos passam. Sentem, orem e sejam honestos sobre medos e sonhos. Para dúvidas de saúde ou fertilidade, procurem um médico; aqui eu falo do coração.

2. Construam um casamento que vocês desejariam para os seus filhos. O maior presente que você dá a uma criança não é o quarto decorado. É um pai e uma mãe que se amam e se respeitam dentro de casa.

3. Coloquem Cristo no centro antes de colocar qualquer plano. Carreira, filhos, casa própria, tudo isso é bom. Mas nada disso sustenta um casamento sozinho. O que sustenta é uma aliança com Deus no meio.

Para a Igreja

A Igreja não precisa gritar contra os números. Precisa formar homens confiáveis, acolher mulheres sem julgá-las e mostrar casamentos que, olhando de perto, dão vontade de imitar. As pessoas não vão voltar a querer família por causa de um sermão sobre estatística. Vão querer quando virem uma família onde dá gosto de estar.

Se o seu casamento hoje está longe disso, eu quero te dizer que ele pode mudar. Não por mágica, mas por um caminho. Foi para isso que a Vanessa e eu criamos o Guia de 21 Dias: um passo a passo para recomeçar com Cristo no centro, um dia de cada vez.

Fontes

  1. Filhos mais tarde, mais estudo e mais independência: o que mudou na vida das mulheres em gerações — G1 / Globo Repórter
  2. Taxa de fecundidade do país caiu para 1,55 filho por mulher, de acordo com o Censo 2022 — IBGE Educa
  3. Brasileiras estão tendo menos filhos e adiam maternidade, diz Censo — Agência Brasil
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Ricardo Martins

Ricardo Martins

Ricardo Martins é escritor, pastor e porta-voz do movimento Legendários. Ao lado da esposa, Vanessa Lima, criou O Casal Legendário, que alcança milhões de pessoas com conteúdo sobre casamento cristão e restauração. Autor de "Quando o amor recomeça" (Citadel, 2026).

Precisa de um plano pro seu casamento?

O Guia de 21 Dias é o passo a passo que Ricardo e Vanessa usam com casais em crise — um dia por vez, com Cristo no centro.

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Este conteúdo é educacional e pastoral. Não substitui terapia, atendimento médico, jurídico ou ajuda emergencial. Em caso de violência ou risco imediato, procure ajuda agora.