Traí meu marido com o presbítero da igreja: conto ou não conto?

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“Tenho 19 anos de casamento e passo por momentos muito difíceis em meu relacionamento. Meu marido é muito fechado, estúpido e intolerante. Busquei Deus durante toda a minha historia matrimonial para que meu marido tivesse um encontro com Deus e se tornasse um verdadeiro homem de Deus. Bem, pra resumir, há uns três anos atrás, na pior fase do meu casamento, fiquei encantada por um jovem da igreja que veio com galanteios e elogios. Acabei cedendo e tivemos vários encontros e uma relação sexual. Após esse acontecido me arrependi profundamente e me afastei por completo. Esse rapaz é casado e presbítero da igreja e não sente nenhum arrependimento. Já comigo é diferente. Eu não consigo sentir o perdão do Senhor e me culpo pelo que fiz com meu esposo e com a esposa dele. Porém, se eu contar a meu esposo meu casamento acaba pois ele jamais me perdoaria. Existe perdão para mim sem que ninguém saiba do que fiz? Me ajude, tenho vivido dias de muita amargura. Aguardo resposta, Deus abençoe.”

Resposta:

Querida, sinto mesmo por sua dor e tenho certeza que não deve estar sendo fácil conviver com essa tortura. Sim, porque situações como essas tem o poder nos torturar emocionalmente e também fisicamente. Não te culpo ou te julgo pelo que fez, uma porque não sou juiz de ninguém e outra por ter ciência da minha humanidade pecaminosa. Posso nunca ter ido por este caminho, mas certamente já caí em outros pontos. Além do que, se somos cristãos e temos os ensinamentos de Cristo como nossa regra de fé, não podemos nos esquecer que o que contamina o homem é o que sai do coração e não o que entra. É a intenção contida por trás do ato. (Mateus 15.18). Ou seja, se em algum momento desses 19 anos de casados seu esposo olhou com intenção impura pra outra mulher, desejando-a, ele adulterou tanto quanto você, segundo Mateus 5.28.  As consequências tem graus diferentes, mas um pecado não é maior ou menor do que o outro. Estamos todos no mesmo barco.

E acho que ter um conhecimento mais profundo sobre o perdão pode também te ajudar a lidar com essa angústia. A visão que uma boa parte dos cristão tem de Deus é de um Ser que está sempre pronto a apontar nossas falhas e nos castigar. Um exemplo simples e que comprova este fato é a musiquinha que muitas igrejas ensinam às suas crianças e que diz: “Cuidado olhinho o que vê, cuidado mãozinha o que pega, cuidado pezinho onde pisa… O nosso Salvador está olhando pra você, cuidado olhinho o que vê!” Ou seja, a imagem que a criança forma de Deus num caso como este é totalmente deturpada. A imagem de um Deus carrasco que investe seu tempo perseguindo, acusando e punindo. Uma imagem não Bíblica. Então essa construção de Deus muitas vezes é reforçada por uma figura paterna agressiva e amedrontadora, que a cada erro cometido recebe um castigo severo. A relação é então pautada no medo e não no amor, o que dificulta imensamente o entendimento de graça e perdão.

É esperado que num caso como o seu haja o sentimento de culpa e arrependimento. Imagine se não houvesse este sentimento presente na humanidade? Seríamos um bando de psicopatas desprovidos de empatia, sentimentos e provavelmente já teríamos nos auto destruído. Mas há uma grande diferença entre sentir arrependimento e em ser oprimido e escravizado por ele. A Bíblia ensina que a morte de Cristo na Cruz rasgou a dívida que tínhamos com Deus. O preço pelo seu pecado já foi pago! Está consumado! O arrependimento sadio serve para nos fazer conscientes daquilo que fizemos e que prejudicou o outro (ou a nos mesmos) e nos impulsionar a um processo de transformação e maturidade. Ele também nos leva em direção a uma intimidade maior com o nosso Pai, que é um Deus de amor, de graça e de perdão. Te leva a dobrar os joelhos, muitas vezes em choro angustiante e depositar Nele tudo aquilo que aflige a sua alma. Esse exercício, além de nos aproximar de Deus, nos leva a um conhecimento maior de nós mesmos. Jesus em nenhum momento coloca como condição de perdão o confessar o seu pecado a um outro ser humano, neste caso, seu marido. Em outras palavras, não encontro versículo algum na Bíblia dizendo que você só receberá perdão se confessar o pecado a pessoa que você prejudicou.

O versículo abaixo fala de alguém que possivelmente tenha algo contra você e você tenha ciência disso. Ele te orienta a ir em busca da reconciliação que, pra Cristo, tem muito mais valor do que o dinheiro em si. O tema central é a hipocrisia de mostrar algo por fora que não diz respeito ao que há por dentro. Veja:

“Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta.” Mateus 5.23, 24

Neste outro ele fala sobre o poder curador que há quando compartilhamos nossas falhas e oramos uns pelos outros. É o que você fez aqui comigo, por exemplo. O fato de abrir seu coração já é caminho de cura pra alma. Mas observe que não há obrigação alguma desse relato ser feito especificamente ao alvo do seu erro (seu marido). Alguém que compartilhe da mesma fé que a sua e seja de extrema confiança seria uma boa opção. E note também que não há relação alguma entre “o confessar ao outro” e o “perdão de Deus”. A relação feita aqui é ato de “confessar/orar” x “cura pra alma”, apenas.
 
“Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz.” Tiago 5.16
A única regra que encontramos sobre o perdão é o derramar seu coração a Jesus:

“Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo… Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.” 1 João 2.1/1.9

Agora a questão de contar ou não é outra história. Não tem nada a ver com o perdão de Deus. Pela minha experiência vejo o quão difícil é um casamento seguir após um episódio de traição, mesmo que o relato seja feito anos depois. O cônjuge traído na maioria das vezes não suporta viver com essa dor e normalmente segue pelos seguintes caminhos: ou desiste do casamento ou passa a vida se torturando (a terapia pode ajudar bastante nesses casos). Mas há situações em que há restauração completa sim (temos um exemplo aqui no blog) e já vi acontecendo em relacionamentos bem próximos a mim, ou seja, é possível.

Em geral, mulheres perdoam mais fácil do que os homens. Se decidir contar, já vá preparada para uma mudança radical em seu relacionamento e dias muito difíceis, inclusive na comunidade em que frequenta, pois não podemos excluir a possibilidade de seu esposo ir de encontro ao ex-amante e abrir o jogo para a esposa dele. Não vai ser fácil, pode até decidir silenciar, mas a questão é se você conseguirá conviver com isso. O fato de ter vindo aqui falar comigo já é um sinal de que está se tornando insuportável pra você.

Sabe, tenho uma dificuldade imensa com os “tem que” que a religião e os religiosos colocam sobre os ombros dos cristãos. “Tem que isso, tem que aquilo…” O único “tem que” que Cristo nos deixou foi o amor, a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Segundo Romanos 13.10 e Gálatas 5.14 neste mandamento está o cumprimento de TODA a lei. “Tem que contar pro cônjuge sobre a traição?” Se você tiver que cumprir essa lei então terá que cumprir todas as outras. Vai ter que contar e confessar a todos os irmãos na fé todas as vezes que pensou ou falou mal deles. Vai ter que confessar ao cônjuge toda vez que desejou outra pessoa em pensamento. Vai ter que confessar para os clientes todas as mentiras que contou em nome da empresa. Vai ter que sentar e fazer uma lista de todas as vezes que pecou contra alguém e sentar com todas elas para confessar, pois, seguindo essa lógica de raciocínio, se “tem que” uma coisa” então “tem que todas as outras”.

Jesus quando esteve diante da mulher adúltera não disse: “Vá e confesse seu pecado as esposas dos homens que se deitou ou ao seu marido para só então ser perdoada”. A sua única fala foi: “Agora que sabe da verdade, vá e não peques mais.” Simples assim. Andando em comunhão com Deus e guiada pelo seu Espírito, receberá toda a orientação para saber como agir, inclusive o ímpeto de confessar o adultério ao seu cônjuge caso Deus julgue necessário. Não vai precisar de lei pra isso.

Toda escolha tem uma consequência, isso é regra da vida. Hoje você está vivendo as consequências de algumas escolhas e não tem nada a ver com castigo de Deus. Siga adiante, na certeza do perdão já recebido. Busque comunhão com Deus e Ele te dará toda sabedoria, direção e força necessárias para decidir o que fazer!

Um forte abraço,

Dani

 

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7 Comentários

    • Daniela Marques on

      Tenho uma dificuldade imensa com os “tem que” que a religião e os religiosos colocam sobre os ombros dos cristãos. “Tem que isso, tem que aquilo…” O único “tem que” que Cristo nos deixou foi o amor, a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Segundo Romanos 13.10 e Gálatas 5.14 neste mandamento está o cumprimento de TODA a lei. “Tem que contar pro cônjuge sobre a traição?” Se você tiver que cumprir essa lei então terá que cumprir todas as outras. Vai ter que contar e confessar a todos os irmãos na fé todas as vezes que pensou ou falou mal deles. Vai ter que confessar ao cônjuge toda vez que desejou outra pessoa em pensamento. Vai ter que confessar para os clientes todas as mentiras que contou em nome da empresa. Vai ter que sentar e fazer uma lista de todas as vezes que pecou contra alguém e sentar com todas elas para confessar, pois, seguindo essa lógica de raciocínio, se “tem que” uma coisa” então “tem que todas as outras”. Jesus quando esteve diante da mulher adúltera não disse: “Vá e confesse seu pecado as esposas dos homens que se deitou ou ao seu marido para só então ser perdoada”. A sua única fala foi: “Agora que sabe da verdade, vá e não peques mais.” Simples assim. Andando em comunhão com Deus e guiada pelo seu Espírito, receberá toda a orientação para saber como agir, inclusive o ímpeto de confessar o adultério ao seu cônjuge caso Deus julgue necessário. Não vai precisar de lei pra isso… Penso assim! 🙂

  1. Num casamento existe uma aliança entre o marido e a mulher; os dois uma só carne. Cristo compara o casamento a sua noiva (a igreja). Poderia pecar contra Deus, me arrepender, sem confessar para Ele, ao meu pastor? Que tipo de arrependimento é esse que jogo para baixo do tapete ou tento enterrar?
    Poderia pecar contra meu marido, meu casamento e me arrepender sem confessar? Que arrependimento é esse? E a aliança que foi quebrada, como restaurar sem confissão? Porque se me calo fico no engano, coloco o cônjuge numa prisão, sem opção de se libertar do engano, e ainda escraviza a relação….. Não acredito em perdão sem confissão, só ler a Bíblia e os princípios de Deus para entender que teu Conselho é uma falácia!!!

    • Daniela Marques on

      Tenho uma dificuldade imensa com os “tem que” que a religião e os religiosos colocam sobre os ombros dos cristãos. “Tem que isso, tem que aquilo…” O único “tem que” que Cristo nos deixou foi o amor, a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Segundo Romanos 13.10 e Gálatas 5.14 neste mandamento está o cumprimento de TODA a lei. “Tem que contar pro cônjuge sobre a traição?” Se você tiver que cumprir essa lei então terá que cumprir todas as outras. Vai ter que contar e confessar a todos os irmãos na fé todas as vezes que pensou ou falou mal deles. Vai ter que confessar ao cônjuge toda vez que desejou outra pessoa em pensamento. Vai ter que confessar para os clientes todas as mentiras que contou em nome da empresa. Vai ter que sentar e fazer uma lista de todas as vezes que pecou contra alguém e sentar com todas elas para confessar, pois, seguindo essa lógica de raciocínio, se “tem que” uma coisa” então “tem que todas as outras”. Jesus quando esteve diante da mulher adúltera não disse: “Vá e confesse seu pecado as esposas dos homens que se deitou ou ao seu marido para só então ser perdoada”. A sua única fala foi: “Agora que sabe da verdade, vá e não peques mais.” Simples assim. Andando em comunhão com Deus e guiada pelo seu Espírito, receberá toda a orientação para saber como agir, inclusive o ímpeto de confessar o adultério ao seu cônjuge caso Deus julgue necessário. Não vai precisar de lei pra isso… Penso assim! 🙂

  2. Falou muito comigo o conselho que deu a ela, e nem preciso escrever o porquê, pra bom entendedor…. Deus continue te abençoando e abençoado esse trabalho.

    Obs: amei a forma de resposta do segundo comentário, sou sua fã.

  3. Leo Nardus on

    Dani, vc deveria ter vergonha em dar um conselho desse! A bíblia embora diga que Deus é amor, por outro lado mostra ele como justiça, e que o pecado cometido contra o cônjuge é pecado, e deve ser confessado sim, pois a bíbia manda dizermos a verdade cada um com o seu próximo. voce distorce a palavra de Deus afim de agrdar as pessoas, colocando elas no caminho do inferno, no qual vc está se não se desviar dele, dando o conselho desses para alguém que cometeu tal pecado. O marido deve ser o primeiro a saber disso, embora venha o casamento a acabar, pois é consequeência do pecado dessa mulher, e nao culpa do marido.Cabe a ele perdoar ou não.Tenha vergonha do que vc está fazendo distorcendo a palavra de Deus, coisa que Paulo aconselha a nao fazer em 2 Coríntios capítulos 6 e 11, e em Hebreus 13. Jesus nos purifica de todo o pecado, mas isso não quer dizer que devemos pecar deliberadamente, pois em Hebreus diz que podemos perder a salvação por isso.
    Esse seu conselho é diabólico, e jamais deveria ser dado a um cristão que pecou e querse arrepender. Arrependa-se desse seu conselho , Deus lhe perdoará.

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