EX- CÔNJUGE E FILHOS DO PRIMEIRO CASAMENTO

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Deus fez homem e mulher não para que se separem, por isso todo estímulo para que as pessoas se casem por amor, não porque estão com tesão, não porque não aguentam mais, não porque todos os amigos já estão casando, não porque tem uma culpa de se masturbar e etc. Pois quem casa pra transar ou por qualquer outro motivo que não o amor verdadeiro, se divorcia por qualquer razão. Noto que no meio evangélico acontece muito o seguinte: os homens casam pra transar e as mulheres transam pra casar. Então casam, transam um ano ou dois e depois não querem fazer mais, pois o cônjuge não lhe é mais atraente ou desejável. É o tipo de casamento compulsório, que gera muitos desencontros. E me parece que o único lugar onde o amor tem uma suspensão de verdade é o casamento cristão. Paulo faz uma concessão que não está escrito em lugar nenhum, mas muitos cristãos recebem por revelação: ‘Sem amor nada se aproveitará, exceto o casamento’. E parece que esta é única aliança que pode se fazer sem amor, apenas para manter a moral e honradez, para a reputação não ser abalada e para que o testemunho não seja questionado. Então mantém-se a mentira, a farsa, o ódio, os xingamentos, os abusos… Aí vem a depressão, síndrome do pânico, a falta de vontade de viver, a angústia…

Bom, afirmado o fato de que não é ideal de Deus que as coisas sejam assim, de que o divórcio é um remédio amargo que só deve ser utilizado para debelar um estado de morte – porque o divórcio é equivalente a uma amputação para um corpo que está com infecção generalizada: ou se tira aquele pedaço gerador da infecção ou o corpo vai morrer – se não for nesse caso, onde a amputação se justifica como um mal menor em relação ao mal maior, ninguém tem que se divorciar. É importante deixar claro que um divórcio só divorcia divorciados. Se se divorciaram no papel, é porque há muito tempo já estavam divorciados no coração.
Eu sou anti-divórcio e acredito que só se deve recorrer a esta amputação em última instância, e o casal deve fazer o possível para não chegar lá. Não é um mandamento de ordem, mas um mandamento de concessão. Então, tudo o que eu puder fazer para evitar o divórcio, eu farei, mas tudo o que eu puder fazer para que pessoas que não se amam, vivem mal, se tratam mal, estão infelizes, fazem a vida uma da outra um inferno, se separem com respeito, honradez e dignidade, eu farei. Pois sem amor de nada se aproveitará. Dito isso, acaba o frenesi do uso da liberdade como libertinagem, pois quem o faz, perde o caráter e sua densidade existencial.

É aí que entra um esforço enorme, pois se o indivíduo não conseguiu manter a família que formou com a primeira mulher, ele tem que saber e deixar de ser tolo de pensar que num segundo casamento será mais fácil. Pelo amor de Deus! Você terá todos os problemas do primeiro (pois só os descarta aqueles que são mosntros insensíveis, inafetivos e psicopatas familiares) e agora as preocupações do segundo. Terá que se preocupar com os filhos que gerou no primeiro casamento e com sua progenitora, devendo tratá-la com todo o respeito e dignidade, não importando a causa da separação. 

Agora, agregue-se a isso um novo casamento. Se o indivíduo tiver a bênção de se casar com uma mulher que não seja complicada, ciumenta e não implique com a ex-esposa, se tiver a bênção de que sua ex-esposa não fique com ódio desta que ficou no seu lugar, que não crie intrigas entre os filhos para odiarem a atual mulher do pai, e assim, sequestrem afetiva e emocionalmente o pai para que ele não tenha paz com sua atual mulher, pode ser que o caminho seja menos espinhoso.

Mas as pessoas criam a ilusão de que será mais fácil um segundo casamento, onde se terá tudo o que se criou de vínculos e responsabilidades da primeira relação, somando-se a tudo que se criará na segunda. É loucura pensar que vai ficar tudo mais fácil. Divórcio não é uma situação pra facilitar nada, é apenas uma concessão para o indivíduo sair do insuportável, na tentativa de encontrar um chão melhor pra viver.

Agora, vê-se por aí os divórcios por qualquer motivo: “Eu não gosto mais dela, acho que o amor acabou…. Não sinto mais atração, estou desgostando!” Todo mundo se gosta e se desgosta um milhão de vezes no curso da sua existência! Tem dias que você está gostando da pessoa que ama e tem dia que você não está gostando. Casamento não é feito de gostar e de não gostar, é feito de amor. Frequentemente temos que amar o que não gostamos. Amamos nossos filhos até o fim, mesmo não gostando de suas atitudes e comportamentos. É assim com o cônjuge e em muitos outros aspectos. O amor não é uma zona de conforto. O problema é que muita gente acha que amar é estar livre de desconforto, aí fica muito fácil a amante do motel, onde se tem 2h00 de puro prazer: “Ai meu Deus, por que a vida com minha mulher não é assim?” Porque a vida não é assim meu irmão! Leva essa bichinha que você pega na hora do almoço pra casa, e vá viver o dia a dia com ela, e em pouco tempo você verá que trocou apenas de mulher e não de problema.

A maioria dos divórcios que eu vejo acontecer são totalmente evitáveis. É falta de perseverança, é falta de amor, é falta de vontade de trabalhar por aquele amor que é tecido todos os dias. As pessoas vivem numa ilusão enorme de um amor romântico que não existe, que não sobrevive a existência e ao cotidiano. Amar uma mulher não é viver o dia inteiro tomado de um excitamento sexual… isso é neurose e passa. Chega a hora em que você vai amar essa mulher pelo que vocês fazem juntos, pelo que vocês constroem juntos, por quem vocês amam juntos, pelo amor de vocês um pelo outro, pelos compromissos, pelos vínculos, pela história, pela jornada… Se não houver essa consciência, teremos cada vez mais relacionamentos virtuais e descartáveis, onde o núcleo familiar vai sendo relativizado por qualquer tolice ou besteira.

Falo tudo isso depois de estar divorciado há praticamente 10 anos, ter casado a segunda vez com uma mulher que é dois anos mais nova do que eu e que tem três filhos de idade aproximada dos meus quatro filhos. Todo mundo se dá muito bem, com muito respeito, irmandade e muito carinho. Mas eu peço as pessoas que não olhem pra mim como modelo de casamento, porque eu não sou… 

Atendo  todos os dias diversos casos de casais separados e que estão dentro de um novo casamento, com filhos dos dois lados, onde o cara não teve a sensatez de fazer o possível para não deixar a ex-companheira em paz, afirmada, com respeito e dignidade. Não teve o cuidado de ser pai para os filhos e não deixar que o divórcio com a mulher os divorciassem em nada dos filhos… E ainda fica tentando fazer intervenção na criação que a atual esposa tem com os filhos. Aí briga com a mulher, briga com os filhos dela, diz “ou são eles ou eu”, e que a mãe tem que decidir entre o atual marido ou os filhos… Um bando de homens malucos e mulheres doidas, achando que com crises de ciúmes, possessividade e guerras declaradas contra a antiga família do indivíduo vão construir alguma coisa. Bom, até constroem… Constroem um casamento pior, um produto mais horroroso do que aqueles que eles saíram, sendo que muitos, saíram até de um relacionamento que tinha salvação.

Deus criou homem e mulher, este é o projeto de Deus, este é o Seu ideal. Se o casamento serve como ilustração do relacionamento entre Cristo e a Igreja, é certo então que devemos tratá-lo com a maior seriedade possível, casando sempre por amor e mantendo o casamento através deste amor. E se isso não pôde acontecer por circunstâncias da vida, por calamidades, por enfermidades, por infidelidade e etc, então que se separem com respeito, dignidade, bondade, misericórdia e discrição. Se geraram filhos juntos, que protejam seus filhos, porque eles só estão se separando da conjugalidade um do outro e não se divorciando do vínculo familiar que foi estabelecido com o nascimentos dos filhos. Ele(a) não é mais teu marido ou tua mulher, mais é pai ou mãe dos filhos que vocês geraram juntos. Isso deve ser dignificado, honrado e afirmado.

Vou sempre dizer que se o divórcio tiver que acontecer, que o indivíduo não aproveite essa situação como quem diz: “Eu já tentei, já fiz de tudo, então agora estou livre, com licença pra matar!” Não faça isso… você vai destruir a sua vida e vai terminar seus anos amargurado e infeliz; vou sempre dizer que uma pessoa que se separou, é vítima de uma infelicidade. Se ela foi alguém que provocou de modo errado a separação, cometeu o seu pecado, e como todo pecado, deve tomar consciência dele de verdade, arrepender-se  para Deus e para si, e mudar sua consciência, sua postura e conduta do seu próprio caminho; vou sempre dizer que eu nunca me casei pensando em me separar. Eu nunca nutri desejos de separação. Quando aconteceu, aconteceu por razões fortes e violentas dentro de mim, e eu tentei ser honesto com estas razões, mas em momento algum eu imaginei que aquilo pudesse dissolver a minha família, nunca aceitei essa possibilidade. Agora no final do ano, por exemplo, minha ex-esposa vem passar uns dias das férias conosco, junto com nossos filhos, parentes, minha atual esposa e meus enteados, pois ela continua sendo parte da família. 

Quando me divorciei, disse na cara do diabo: “Estou tomando uma decisão que eu nunca quis tomar, uma decisão que eu não gostaria que nenhum filho meu tomasse, uma decisão que eu não gostaria que ninguém na vida precisasse tomar, porque dói demais! É consequência de um erro que já reconheci e me arrependi. Mas na minha família ninguém vai tocar!” Os filhos que eu gerei, gerei com a mãe deles, e ela vai ser honrada por mim até o último dia da minha vida, e se tem alguma coisa que é intolerável pra mim, é ver um pai que se “despaternaliza” dos filhos e que desrespeita a companheira com a qual ele gerou esses filhos. Não importa quem ela é, o que fez ou ainda faz, é a mãe dos seus filhos! Cumpra, honre, seja homem, seja cristão! Porque até para o cara ser cristão ele precisa antes ser homem. Cristão é coisa pra quem é muito macho, que leva as suas responsabilidades até o tutano do ser, não brinca de amar, mesmo se separando, pois ninguém é obrigado a conviver e desejar uma pessoa conjugalmente, mas todos somos obrigados a amar.

Se sou chamado a amar o inimigo, pelo amor de Deus, como é que não vou amar a mãe ou pai dos meus filhos? Devo amá-lo(a) com amor de irmão, de amigo e com o amor de Cristo, até o final da vida.

Transcrição de uma entrevista dada por Caio Fábio (https://www.youtube.com/watch?v=9Y527fBE2cI). Diversos trechos foram editados e adaptados para facilitar a leitura – por Daniela Marques.

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6 Comentários

  1. Muito bom esse texto. Estou passando por um divórcio, infelizmente, errei, mais fiz de tudo pra concertar meu casamento, mais meu cônjuge não teve essa mesma vontade, é horrível a dor de uma separação.
    E faz 3 meses que nos separamos, e ele já arrumou outra pessoa, não digo nunca, mais será dificíl eu entrar em um segundo casamento.

  2. Tenho uma duvida e gostaria de opiniões;A mulher cristã,casada tenha a obrigação de ter filhos??? e 1TM 2;15?
    agradeço desde ja…
    Graça e Paz.

    • A salvação que esse versículo fala não é salvação da vida eterna, mas salvação no sentido de sua posição na igreja e produção de frutos para Deus, tanto que em seguida Paulo coloca uma condição: “se elas permanecerem na fé, no amor e na santidade, com bom senso.” Podemos pensar que uma mulher pode ter filhos mas não buscar amadurecimento na fé, amor e santidade, ou seja, neste caso os filhos não serão porta para sua salvação. Paulo está falando aqui para uma comunidade específica, num tempo específico e cultura específica. Nem tudo é aplicável para a igreja da atualidade. Precisamos analisar contextos, traduções e etc. A regra de vida para todo cristão é o amor. Se praticou o amor, cumpriu a lei, conforme Romanos 13:10. A sua salvação vem pela fé em Cristo e não por ter ou não filhos. Espero ter ajudado. Beijos, Dani.

  3. A Paz do Senhor, vou contar-lhe minha história desde o começo. Me casei aos 18 anos sem o consentimento de meus pais de criação. Meu namorado era da igreja, mas meus pais por não gostarem dele, não queriam, pelo fato dele ser divorciado, da ex-mulher ser pertubada, etc, etc. Mesmo assim me casei por achar que era o homem de Deus (por ter recebido várias profetadas de q Deus no abençoaria, etc, etc). Agora no dia 05 de Novembro completamos 6 anos de casados. Tudo estava indo bem até que os filhos de meu marido vieram morar conosco há 4 anos atrás.
    Ele tem dois filhos, uma menina com 16 e um pia com 14 anos, fruto de uma relação de 8 anos. Devido a traição da ex mulher ele se separou, nunca conversamos sobre a possibilidade das crianças virem morar conosco (exceto uma vez q a minha mãe o indagou e ele disse q os filhos jamais morariam conosco), até pq a ex mulher dele era envolvida com tráfico e saiu fugida de Ctba, ele só foi ter contato novamente com os filhos quando completamos 1 ano de casados. Na época criei um Orkut para ele, foi através dele que eles trocaram telefonemas, e combinaram das crianças virem passar as férias com a gente.
    Porém, meu marido resolveu ficar com os dois por um ano. No período em que esteve com a mãe a menina com apenas 12 anos já esteve envolvida com drogas e outras coisas erradas, no ano de 2011 que passaram conosco foi uma verdadeira luta! Problemas na escola, mentiras, ficar fora de casa, gazear aula, etc, etc. O problema é que meu marido sempre se deixou dominar pela ex mulher, todas as vezes que ele chamava atenção das crianças ela ligava fazendo um inferno da vida dele, e ele sempre afrouxava com eles.
    Voltaram para a casa da mãe no final desse ano, porém 3 meses depois ela mandou a menina novamente, pior do que estava. Meu marido deixou a menina muito solta, estava trabalhando e estudando, mas chegava em casa muito tarde, as vezes 23hs da noite ou 00hs. E meu marido como sempre não fazia nada. Devido ao passado da menina comecei a aconselha-lo que ele deveria colocar limites, mas sempre a menina passava por cima da autoridade dele e eu tinha que tomar a rédeas.
    Conseqüência a menina fugiu de casa há 15 dias e foi morar com a tia. Descobrimos histórias de envolvimento com drogas, brigas de gangue, furtos, etc. Pra variar eu saí como a ruim da história, a culpa é minha, eu sou a madrasta ruim, etc, etc.
    Estou muito decepcionada com meu marido, querendo sinceramente acabar com tudo. Eu vou completar 25 anos e ele tem 37 anos, faz preferência pela filha rebelde e deixa o menino de lado. Ainda não temos filhos! Como irei construir uma família com um homem assim? Se em outro estado a ex já faz da vida dele um inferno? E ele não toma uma posição como líder da casa?
    Estou cansada e extremamente decepcionada com ele. Nosso pastor já o aconselhou, mas parece que ele não quer aceitar o que a filha é, passa a mão na cabeça, coloca todos como errado e ela como certa. Até a professora da escola já me disse isso!
    Não engravidei até o momento porque queria que ele resolvesse sua situação com os filhos primeiro, que eles tivessem uma boa convivência. Me arrependo amargamente de te-lo ajudado a encontrar os filhos (a gente acaba fazendo o bem e se arrepende 🙁 )Meu casamento está em uma situação insustentável e realmente se meu esposo não mudar isso vai acabar virando divórcio, só não fui embora de casa ainda por causa do testemunho, mas não sei até quando eu vou agüentar!
    Parece-me que a menina não está dando certo com a tia pq não obedece limites e sinceramente não a quero mais na minha casa porque perdi a fé de meu marido mudar, se ele realmente comandasse a casa tudo seria mais fácil!
    Como terei uma família com um homem assim?

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