COMUNICAÇÃO NÃO-VIOLENTA

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Nunca um texto como este se fez tão necessário, por isso trouxe até aqui para vocês. O artigo não é meu, mas como concordo com cada ponto e vírgula (é quase minha alma fando!), achei por bem compartilhar nesse espaço. Invista alguns minutinhos nessa breve leitura e compartilhe com seus familiares e amigos. É tempo de parar, aquietar, refletir e agir! A conscientização da população a respeito desse tema, poderia mudar o rumo de nossa história. Utopia? Pode ser. Mas o céu é uma utopia e eu acredito no céu. Então acredito em utopias.

“A comunicação não violenta se baseia na ideia de que, quando falamos, estamos sempre expressando necessidades profundas, compartilhadas pelos outros. Toda pessoa, seja de direita ou esquerda, homem ou mulher, religioso ou ateu, tem necessidade de abrigo, segurança, alimento, amor. Também precisamos de reconhecimento, carinho, aceitação, pertencimento, intimidade, liberdade, entre muitas outras coisas. Não é fácil olhar para alguém que acaba de nos ofender e ver ali uma pessoa como nós, com necessidades semelhantes. Mas, se queremos realmente causar mudanças, precisamos tentar.

“Respeito significa olhar de novo”, diz o especialista em Comunicação Não-violenta Dominic Barter, inglês radicado no Rio de Janeiro, ao explicar a origem da palavra. “Re” significa que algo vai acontecer de novo; “spect” significa ver. “Em um primeiro contato com outra pessoa, a primeira coisa que notamos são nossas diferenças”, diz ele. “Notamos como a cor da pele é diferente, as roupas, as opiniões. Para ouvir respeitosamente, precisamos olhar outra vez, com mais cuidado, e procurar não aquilo que nos diferencia, mas o que nos une”. Quando nos damos esse tempo para perceber o outro, podemos ver as coisas com mais clareza, evitando os julgamentos de valor.

É importante reconhecer a diferença entre observação e avaliação. Isso porque, quando julgamos a ação do outro, a tendência é que ele sinta aquilo como uma crítica. Ora, o ser humano não gosta de ser criticado; em vez de refletir sobre o que dissemos, sua tendência será se defender. E, assim, a comunicação se rompe. As observações ditas ao outro devem ser específicas da situação, se referindo àquele ato e não à pessoa. “É diferente eu dizer ‘Aquele desgraçado acabou com a vida da família inteira’ e falar ‘Ao sair de casa e usar drogas, aquele homem provocou uma reação de tristeza e desesperança, segundo o relato dos familiares’”, exemplifica o psicólogo Frederico Mattos.

“Você SEMPRE esquece a luz acesa!” pode parecer uma frase neutra, mas o “sempre” traz uma carga acusadora, que pode não corresponder à verdade. Dizer “Nas últimas quatro vezes em que reparei, você deixou as luzes acesas” é mais objetivo e tem mais chances de não ser recebido como crítica. Depois dessa formulação, é hora de observar as emoções que essa situação causa em você. Tristeza? Raiva? Vergonha? Fazer isso é mais complicado do que parece. Afinal, não fomos treinados a prestar atenção em nossas emoções; pelo contrário, ouvimos a vida toda que elas nos atrapalham.

Para a maioria das pessoas, porém, ouvir os próprios sentimentos é como ouvir as notas de um clarim. Não temos vocabulário para expressar o que se passa conosco. Quando colocamos nossos sentimentos na mesa, nos abrimos para o outro, deixamos que ele enxergue nossa vulnerabilidade. E isso pode ser transformador. Mesmo que o outro não verbalize, podemos tentar perceber, por trás de seus gritos e acusações, as suas verdadeiras emoções. A mãe que critica a filha pode estar apenas se sentindo sozinha. O filho que tira notas baixas pode estar tendo problemas na escola. O tio que pede a volta da ditadura pode estar expressando seu medo da violência. Somos como crianças que, com fome, frio ou sujas, reagem do único jeito que sabem: chorando.

“As pessoas não são perturbadas pelas coisas, mas pelo modo que as veem”, disse o filósofo grego Epicteto. Digamos que seu namorado desmarque um compromisso de última hora. Se você está ansiosa por encontrá-lo, a sua sensação imediata poderá ser de raiva. Mas, se você teve um dia cansativo, talvez receba a notícia com bastante alívio. Tudo depende, enfim, do que esperamos. Claro que não é possível deixar de ter expectativas e valores. Isso é o que nos faz únicos afinal. Mas, quando pensamos que cada pessoa tem suas próprias noções de certo e errado, fica mais fácil entender que, no mundo delas, aquilo que nos parece tão abominável e injustificável pode ter sua razão de ser. Quando percebemos isso, fica mais fácil não ser afetado por essas questões. Ao mesmo tempo, ganhamos força para dizer com todas as letras, de forma não violenta, por que aquele ato nos magoa.

Ironicamente, quanto mais não acusadores somos na expressão de nossas necessidades, mais fácil é tê-las atendidas. Na comunicação não violenta, todos os envolvidos – seja um casal em crise ou líderes de etnias em guerra – colocam suas emoções e necessidades na mesa, e isso tenta ser conciliado. Você pode fazer um pedido, por exemplo. “Filho, fico preocupado quando você sai e não dá notícias. Quero que você se divirta, mas será que você pode mandar uma mensagem para avisar que está bem?” É importante formular o pedido diretamente, da forma mais clara possível. Prefira dizer o que quer, e não o que não quer.

“A empatia é a compreensão respeitosa do que os outros estão vivendo”, escreveu Rosenberg. Para isso, é fundamental esvaziar a mente e ouvir com todo o nosso ser. E isso é difícil: requer se despir de ideias preconcebidas, estar plenamente disponível para entender as razões do outro. “A agressividade dos outros se  alimenta de um temor de não ser visto, reconhecido, amado, considerado”, diz Mattos. “Ela é um pedido desesperado por atenção.”

Em geral, em vez de escutar, queremos logo dar conselhos, encorajar, contar histórias semelhantes. Antes disso, porém, é importante dar tempo para que a pessoa se expresse, dizendo tudo o que está entalado. E  isso pode demorar um tempinho. Não tente apressar: apenas ouça. O foco deve ser sempre na mensagem do outro. Se alguém diz: “De que adianta conversar com você? Você não entende nada!”, não leve para o pessoal, nem se defenda. Pergunte: “Você está infeliz porque gostaria de ser escutado?” Repita para a pessoa o que você acredita ser a emoção ou necessidade dela. Ela poderá então confirmar e se sentir, assim, mais escutada.

Passamos a vida toda reagindo a conflitos de maneira não compassiva. Isso não vai mudar de uma hora para outra. A comunicação não violenta é um músculo que precisa de exercício. Tentar analisar sem julgar, perceber nossas emoções e necessidades, tudo isso pode ser treinado. Ao tentar praticá-la, vá no seu tempo. Afinal, à medida que oferecemos empatia aos outros, devemos também fazê-lo por nós mesmos, tendo paciência por nossas ações, nossos processos. Aos poucos, iremos perceber o poder transformador de se comunicar com mais respeito. E aí quem sabe conseguiremos, se não entender de onde vem tanto ódio no mundo, ao menos contribuir para que em nossas relações as coisas possam ser um pouco diferentes. ”

 

Fonte: vidasimples.uol.com.br

Leia na íntegra: Como ter melhores conversas

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