AS LENTES INVISÍVEIS DA EXISTÊNCIA HUMANA

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Todo ser humano possui lentes invisíveis. Alguns tem consciência de sua existência, mas a grande maioria não. Eis a razão de tantos conflitos. As crianças estão com as suas lentes em formação, já os adultos, as tem praticamente formadas. Quando um bebê nasce, traz consigo a armação da personalidade e do temperamento, mas é com o passar dos anos que as lentes vão sendo desenvolvidas.

Se desde o nascimento o bebê recebe o carinho da mãe, um pedacinho da lente é encaixado, mas se ele é rejeitado, o pedacinho que entra é outro; Se a mãe volta a trabalhar após o quarto mês e o bebê vai para uma creche, mais um pedacinho se une aos outros, mas se ele fica em casa sob os cuidados da mãe, o pedacinho acoplado é diferente; Se os pais se separam lá vai um pedacinho novo, mas se permanecem casados e vivem brigando, troca-se o pedaço; Se sofreu traumas na escola, o pedacinho que entra é o “x”, mas se teve bom desenvolvimento, o pedaço é o “y”; Se a mãe disciplinava com chineladas, o pedacinho é “n”, mas se apenas com castigos e gritos, troca-se pelo “m”; Se os pais foram rígidos demais entra o pedaço “quadrado”, mas se foram amorosos e compreensíveis, entra o triangular; Se teve acesso a materiais pornográficos no início da adolescência, lá vai o pedaço azul, mas se foi muito reprimido na área da sexualidade, o cinza vai no lugar… Durante toda a infância e adolescência pedacinhos milimétricos e diferentes vão sendo acrescentados.

Observe que não estou falando de pedaços certos e errados, mas apenas diferentes entre si. As lentes invisíveis da existência humana são como as digitais, não existem iguais. Todas são únicas, singulares! Podem sim ser parecidas, e aqui se explica a afinidade, mas quando são diferentes ao extremo, a convivência fica pesarosa e a caminhada difícil. Lentes parecidas, prazer na companhia. Lentes opostas, conflitos na certa.

Descobrir a existência dessas lentes, pela qual enxergamos a vida, é libertador! Nos tornamos pessoas mais tolerantes, pois compreendemos que as ações e reações do outro estão condicionadas as lentes. “Por que o fulano é tão ríspido em suas respostas? Ele não percebe que machuca os outros dessa forma? Por que não toma cuidado com o modo de se expressar?” A pessoa que tomou conhecimento das lentes invisíveis da existência, ao observar uma situação como essa, logo vai chegar a conclusão de que as lentes do “fulano” os fizeram enxergar a vida dessa forma. Talvez durante toda a sua infância e adolescência tenha sido tratado de forma ríspida, portanto, aprendeu que o jeito certo de agir é esse. Não consegue fazer diferente.

Olho para a vida através das minhas lentes. Essa é a minha realidade, a minha verdade. O outro, enxerga a mesma realidade de forma diferente. É a verdade dele. O elefante é cinza, mas minhas lentes podem me fazer enxergar azul. Um exemplo medíocre. E como saber se as minhas lentes estão retratando a realidade? Como identificar se as minhas ações e reações estão sendo negativamente influenciadas pelos milhares de pedacinhos que construiram as minhas lentes?

Aqui uma sugestão: Encontrará a resposta em seus relacionamentos. As pessoas que te cercam, especialmente as mais próximas, demonstram insatisfação constante sobre as mesmas situações? Reclamações sobre as mesmas atitudes? Talvez alguns pedaços de suas lentes precisem ser substituídas para que a caminhada se torne mais leve e prazerosa. Mas só se substitui algo defeituoso quando se percebe e reconhece o defeito, só então é possível fazer a troca, que não será fácil nem tampouco prazerosa. É preciso muita força de vontade e desejo de preservar os relacionamentos. Ah! E a ajuda de pessoas de fora será essencial. Não tente fazer esse trabalho sozinho.

Pneumologistas ajudam a identificar problemas no pulmão, cardiologistas no coração e neurologistas, no cérebro. E quanto aos conflitos da psiquê, ou seja, da alma? Deus também vocacionou pessoas para exercerem essa função. O trabalho dos psicanalistas, por exemplo, é trazer à consciência a existência das lentes, ajudar o outro a enxergar a origem dos pedacinhos e a identificar aqueles que precisam ser entendidos. Valorize aquele que recebeu o dom para te auxiliar nessa difícil tarefa!

E quanto aos cristãos? Não basta o jejum e a oração? As vezes sim, mas Deus gosta muito de usar pessoas e relacionamentos para curar feridas. Se encontrar um profissional cristão terá em suas mãos uma ferramenta preciosa:

A referência das lentes perfeitas: Jesus, o Deus que se fez homem para nos ensinar o jeito certo de ser gente!

Daniela Marques ministra para crianças e adolescentes há doze anos e, há cinco, trabalha com aconselhamento de famílias. É escritora, psicanalista em formação e idealizadora e criadora de conteúdo dos blogs SalveMeuCasamento, Vida de Mãe e O Coração Vermelho. Ama o que faz!

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